InconsequênciaO forte som rasgou a calma manhã. Começou a despertar. O ambiente estava cercado por uma mistura de escuridão e poeira.
Tentou levantar-se, mas algo sobre suas pernas não deixava. Tateou e entendeu que era um cano grande e pesado.
Por instantes ficou confuso com o que realmente estava acontecendo. Aos poucos começou a escutar gritos, gemidos e choro perto dele.
Algumas luzes foram acessas ao fundo do local. Era um salão comprido com muito concreto e metal retorcido.
Achava, algumas vezes, que estava sonhando. Delirou por instantes. Podia sentir suas pernas, mas não movê-las.
Tentou entender o que fazia ali, quando lembrou-se da maleta. Será que ela seria a responsável por tamanha destruição?, pensou ele. Começaram a chegar os bombeiros e os médicos.
Com a luz a inundar os ambiente, finalmente entendeu o que estava acontecendo. Estava em uma estação de metrô.
Lembrou-se de que deveria levar uma maleta até um dos armários da parte norte da estação, trancar e sair dali rapidamente. Mas parecia que ele não havia sido ágil o suficiente.
Os bombeiros tiraram o cano de cima dele. Estava com algumas escoriações e com uma das pernas quebradas, mas vivo. Teria uma conversa séria com seu amigo, que fizera dele um assassino. Ele havia sido usado para praticar um atentado. Tinha consciência disso agora. Quase chegava a acreditar em sua própria mente. Só esperava que ninguém tivesse visto nada.
Na mesma hora, agentes especiais identificavam-no nas gravações de segurança da estação, no exato momento em que fechava o armário de bagagens